Segurança da aviação civil · AVSEC
Crescimento das ocorrências de segurança no controle do espaço aéreo: o que os dados revelam?
Registros de interferências nas comunicações, uso indevido de drones e feixes de laser reforçam a importância da prevenção, do monitoramento e da capacitação dos profissionais da aviação civil.
A segurança do transporte aéreo depende de uma estrutura complexa, que vai muito além das aeronaves, dos aeroportos e das tripulações. Ela também envolve sistemas de comunicação, serviços de navegação aérea, proteção de instalações, procedimentos de resposta a incidentes e profissionais preparados para reconhecer e tratar situações de risco.
No Brasil, dados oficiais mostram um crescimento expressivo das ocorrências relacionadas à segurança da aviação registradas no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). O cenário chama a atenção para a necessidade de fortalecer medidas preventivas e aprimorar continuamente a preparação dos profissionais envolvidos.
De acordo com o Relatório de Performance ATM do SISCEAB 2025, elaborado no âmbito do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), foram registradas 471 ocorrências AVSEC em 2025, contra 220 em 2024, um aumento de aproximadamente 114,1%. Entre os eventos registrados estão interferências provocadas por feixes de laser, problemas nas comunicações e uso indevido de drones.
Mas o que esses números realmente significam? Quais são as principais ameaças à segurança da aviação? E por que a capacitação profissional é parte importante da resposta a esse cenário?
1. O que os dados oficiais revelam sobre a segurança da aviação?
O relatório do DECEA permite observar a evolução das ocorrências relacionadas à segurança da aviação no SISCEAB.
| Ano | Ocorrências | Variação |
|---|---|---|
| 2024 | 220 | – |
| 2025 | 471 | +114,1% |
Fonte: Relatório de Performance ATM do SISCEAB 2025, seção 3.7: Segurança da Aviação (Security).
O crescimento é relevante, mas precisa ser interpretado com rigor. O aumento dos registros não significa automaticamente que todas as modalidades de risco cresceram na mesma proporção, nem que o número de acidentes tenha aumentado na mesma medida. Os dados mostram a evolução das ocorrências classificadas no relatório e ajudam a identificar áreas que merecem atenção preventiva.
Contabilizar ocorrências, investigar acidentes e prevenir ameaças são atividades relacionadas, mas diferentes.
2. Quais são as principais ocorrências que afetam a segurança do espaço aéreo?
Os registros de 2025 destacam três categorias que merecem atenção: feixes de laser, interferências nas comunicações e uso indevido de drones.
Feixes de laser direcionados a aeronaves
267 +117,1%Equivalentes a 56,7% do total de 2025. A incidência é preocupante porque a luz intensa pode causar ofuscamento e prejudicar temporariamente a visão dos pilotos, especialmente durante fases críticas do voo.
Interferências nas comunicações
87 +148,6%Contra 35 no ano anterior. As comunicações são essenciais para a coordenação entre pilotos e órgãos de controle de tráfego aéreo. Interferências podem dificultar a transmissão ou a compreensão de instruções e exigir procedimentos específicos para preservar a segurança.
Uso indevido de drones
57 +83,9%Drones operados de forma irregular em áreas próximas a aeroportos podem representar risco de colisão, provocar interrupções operacionais e exigir medidas de coordenação entre as autoridades responsáveis.
Esses eventos têm origens diferentes e não devem ser tratados como um único problema. Entretanto, todos demonstram como fatores externos podem afetar a operação aérea e demandar prevenção, monitoramento e resposta coordenada.
3. Por que essas ocorrências preocupam o setor aeronáutico?
O transporte aéreo funciona por meio da integração de diversos sistemas e profissionais. Uma interferência aparentemente isolada pode exigir mudanças nos procedimentos operacionais, mobilização de equipes e avaliação de riscos. Entre as possíveis consequências estão:
- necessidade de aplicar procedimentos operacionais específicos;
- interrupções ou restrições temporárias das operações;
- atrasos e impactos na fluidez do tráfego aéreo;
- mobilização de equipes de segurança e autoridades;
- riscos à integridade de passageiros, tripulações e trabalhadores;
- custos operacionais e impactos econômicos.
Um exemplo concreto foi registrado em junho de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo boletim informativo do DECEA, um episódio envolvendo o uso de drones em uma ação criminosa levou à suspensão de pousos e decolagens por aproximadamente 46 minutos, afetando mais de 30 voos.
O episódio demonstra que ameaças à segurança não se limitam a falhas técnicas. Elas também podem envolver ações deliberadas, uso indevido de tecnologia e tentativas de interferir na operação aeroportuária. Por esse motivo, a prevenção precisa considerar tanto os riscos operacionais quanto as ameaças à segurança da aviação civil.
4. Segurança operacional e AVSEC: qual é a diferença?
Embora estejam relacionadas, segurança operacional e AVSEC não são sinônimos.
Segurança operacional (safety) está relacionada à identificação de perigos e à redução dos riscos associados às operações aeronáuticas. Isso inclui fatores humanos, condições técnicas, procedimentos e prevenção de acidentes.
AVSEC (Aviation Security) é a área dedicada à proteção da aviação civil contra atos de interferência ilícita, como invasões, sabotagens, ameaças e outras ações intencionais que possam comprometer a segurança.
No Brasil, a ANAC participa da estrutura de regulação e supervisão da aviação civil, enquanto o DECEA é responsável por atividades relacionadas ao controle do espaço aéreo e aos serviços de navegação aérea. As atribuições e os procedimentos variam conforme a natureza da ocorrência.
O Programa Brasileiro para a Segurança Operacional da Aviação Civil (PSO-BR) e os instrumentos nacionais de planejamento da segurança reforçam a importância da supervisão, da mitigação de riscos e da preservação da vida. Entender essa diferença é importante para que empresas e profissionais identifiquem corretamente suas responsabilidades e busquem a formação compatível com suas atividades.
5. Qual é o papel da capacitação profissional na prevenção?
Tecnologia, protocolos e equipamentos são essenciais, mas dependem de pessoas capazes de utilizá-los adequadamente. A capacitação profissional contribui para que os trabalhadores compreendam os procedimentos aplicáveis, reconheçam situações suspeitas, comuniquem ocorrências e atuem de acordo com suas responsabilidades. No contexto da AVSEC, a preparação pode envolver conhecimentos relacionados a:
- identificação e avaliação de ameaças;
- prevenção de atos de interferência ilícita;
- controle de acesso e proteção de áreas restritas;
- reconhecimento de comportamentos e situações suspeitas;
- procedimentos de comunicação e notificação;
- atuação conforme os protocolos estabelecidos;
- coordenação com equipes e autoridades competentes.
O conteúdo necessário depende da função exercida, das exigências regulatórias e dos procedimentos aplicáveis à organização. Não existe um único treinamento que habilite indistintamente qualquer profissional para todas as atividades de segurança da aviação. Por isso, a formação deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla de prevenção, atualização e desenvolvimento de competências.
6. Quem deve acompanhar as mudanças na segurança da aviação?
A segurança da aviação envolve diferentes áreas, e cada uma precisa compreender suas responsabilidades. Entre os profissionais que podem atuar em atividades relacionadas à segurança estão:
- profissionais de segurança aeroportuária;
- equipes de controle de acesso;
- trabalhadores de empresas aéreas e aeroportos;
- profissionais de operações e apoio aeroportuário;
- gestores responsáveis por segurança e conformidade;
- equipes de treinamento e desenvolvimento;
- profissionais de empresas terceirizadas que executam atividades sujeitas a requisitos de segurança.
Para gestores de RH e treinamento, acompanhar as exigências aplicáveis ajuda a planejar capacitações, manter registros e verificar se os profissionais estão preparados para as atividades que desempenham. Já para quem deseja ingressar no setor aeronáutico, compreender AVSEC pode representar uma oportunidade de desenvolver conhecimentos específicos e conhecer melhor uma área essencial ao funcionamento da aviação civil.
7. Como escolher uma formação em AVSEC?
Ao buscar uma formação em segurança da aviação civil, é importante avaliar mais do que a duração ou o preço do curso.
- Adequação às exigências aplicáveis: verifique se o curso corresponde à finalidade pretendida e aos requisitos da atividade profissional.
- Qualificação dos instrutores: procure informações sobre a experiência e a habilitação dos profissionais responsáveis pela formação.
- Conteúdo atualizado: a capacitação precisa acompanhar as normas e os procedimentos aplicáveis à área.
- Aplicação prática: avalie como o conteúdo prepara o aluno para compreender situações, responsabilidades e procedimentos do ambiente aeronáutico.
- Credibilidade da instituição: consulte o histórico da escola e as informações sobre seus cursos e autorizações pertinentes.
A ANAC disponibiliza informações sobre a regulamentação da aviação civil e sobre os requisitos aplicáveis às atividades sob sua competência. Consultar as fontes oficiais é uma etapa importante antes de tomar uma decisão sobre formação profissional.
8. Formação em AVSEC na EDUCAR Escola de Aviação Civil
A EDUCAR Escola de Aviação Civil atua na formação de profissionais para diferentes áreas da aviação, incluindo cursos relacionados à segurança da aviação civil.
Para quem deseja desenvolver conhecimentos em AVSEC, conhecer a estrutura do curso, o conteúdo programático e os requisitos aplicáveis é um passo importante para avaliar a formação mais adequada aos seus objetivos. Em um setor no qual a prevenção depende de procedimentos, atenção e preparo profissional, investir em capacitação é uma maneira de se aproximar das responsabilidades e dos conhecimentos exigidos pela área.
Quer conhecer o curso de AVSEC da EDUCAR?
Fale com a escola para receber as informações sobre a formação, o conteúdo e as próximas turmas.
Perguntas frequentes sobre segurança do espaço aéreo e AVSEC
O que significa AVSEC na aviação civil?
AVSEC é a sigla de Aviation Security, expressão utilizada para designar a segurança da aviação civil contra atos de interferência ilícita. A área envolve medidas de prevenção, proteção e resposta a ameaças que possam comprometer aeronaves, aeroportos e instalações relacionadas.
As ocorrências de segurança no espaço aéreo brasileiro aumentaram?
Sim. Segundo o Relatório de Performance ATM do SISCEAB 2025, foram registrados 471 eventos AVSEC em 2025, ante 220 em 2024, um aumento de aproximadamente 114,1%. Esse indicador se refere às ocorrências abrangidas pelo relatório, não ao conjunto de todos os acidentes aeronáuticos.
Quais são as ocorrências mais registradas nesse levantamento?
Em 2025, os feixes de laser representaram a maior parcela, com 267 registros. Em seguida aparecem as interferências nas comunicações, com 87, e as ocorrências envolvendo drones, com 57.
Drones podem comprometer a segurança de um aeroporto?
Sim. Drones utilizados irregularmente nas proximidades de aeroportos podem interferir na operação aérea e exigir medidas de resposta. A gestão do risco depende da situação, da localização e da atuação coordenada das autoridades responsáveis.
Qual é o papel da ANAC na segurança da aviação?
A ANAC regula e fiscaliza aspectos da aviação civil dentro de suas competências, incluindo requisitos relacionados à segurança operacional e à segurança da aviação civil. O DECEA, por sua vez, desempenha funções ligadas ao controle do espaço aéreo e aos serviços de navegação aérea.
Um curso de AVSEC prepara o aluno para qualquer função de segurança aeroportuária?
Não necessariamente. A formação exigida depende da atividade profissional, dos requisitos regulatórios e dos procedimentos da organização. É importante verificar se o curso escolhido atende à finalidade pretendida.
Conclusão: segurança aérea exige prevenção contínua
O crescimento das ocorrências relacionadas à segurança da aviação registradas no SISCEAB em 2025 reforça a importância de monitorar ameaças, aperfeiçoar procedimentos e manter profissionais preparados.
Os dados não devem ser interpretados como evidência de que todas as modalidades de risco aumentaram de forma uniforme. Eles mostram, porém, que eventos como interferências nas comunicações, feixes de laser e uso indevido de drones merecem atenção permanente.
Nesse cenário, a capacitação profissional é uma parte importante da cultura de prevenção. Conhecer os procedimentos, compreender as responsabilidades e saber como agir diante de situações de risco contribui para uma aviação mais preparada. Para quem pretende ingressar na área ou ampliar seus conhecimentos, a formação em AVSEC pode ser um caminho para entender melhor os desafios da segurança da aviação civil e as competências exigidas nesse ambiente.
Fontes oficiais e referências
- DECEA, Relatório de Performance ATM do SISCEAB 2025, seção 3.7: Segurança da Aviação (Security).
- DECEA, Relatório de Performance ATM do SISCEAB 2024, para comparação histórica.
- DECEA, Programa Brasileiro para a Segurança Operacional da Aviação Civil e informações de segurança operacional.
- Governo Federal, diretrizes para identificar e lidar com drones em ambientes aeroportuários.
- DECEA, boletim informativo sobre drones e segurança aeroportuária, junho de 2025.



